Aproveito um pequena pausa pós-almoço para dar aqui um salto. Isto antes de me voltar a embrenhar nas páginas... Mas é que não resisti a comentar isto!Antes de ontem vi o início da entrevista da Judite de Sousa ao Manuel Alegre, e não vi tudo porque a forma de conduzir a entrevista me irritou desmesuradamente. Consistia basicamente em "coscuvilhices" e em trazer para a praça pública as coisas mesquinhas, o que corre mal, os desentendimentos, etc. Embora o homem dissesse que estava ali não para falar dessas coisas passadas, e que queria falar do seu programa, não, não podia ser, e ela continuava com o desenterrar da frase que ele disse no jornal não-sei-quê em mil-novecentos-e-troca-o-passo e que, claro está, era totalmente contraditório com o que dizia hoje... Passei-me e mudei de canal.
Ontem, eis que começo a ver a mesma entrevista com o Mário Soares. A coisa começou exactamente com a mesma fórmula, mas ele, com o seu ar de velhote rezingão começou a contestá-la de tal forma que a mulher ficou sem saber o que fazer! Não contive a gargalhada! Ele: "Mas ontem já falou de tudo isso com o Manuel Alegre, não quero saber disso, quero falar do programa da campanha, isso é o que interessa aos portugueses. Não me pode obrigar a falar dessas coisas que não interessam a ninguém! Bla, bla, bla, e só temos meia-hora, não quero perder tempo, bla e bla".
A Judite nem sabia o que dizer, porque obviamente a entrevista estava preparada para desenterrar as parvoeiras de sempre, e quase não conseguia colocar perguntas!... Também não vi até ao fim, mas acho que foi a única coisa que o Mário Soares fez na sua campanha cómica a que achei piada! Neste caso, a sua senilidade serviu para mostrar à jornalista o ridículo de tal entrevista. Boa, Marocas! Mas é triste constatar que esta forma de encarar as coisas "por baixo", pelo ruim, se instala em tudo do meu país... Suspiro...